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Porsche anuncia plano até 2035 com novos esportivos, SUV a combustão e foco em lucro por carro

Estratégia “Sportwagenschmiede ’35” prevê 718 elétrico, novo SUV abaixo do Macan com versões a combustão e híbrida, estudo de um SUV acima do Cayenne e de um superesportivo; marca quer lucrar vendendo menos de 200 mil carros por ano

Por Guilherme Pires3 min de leitura
Michael Leiters, presidente da Porsche, apresentou a estratégia da marca até 2035.
Michael Leiters, presidente da Porsche, apresentou a estratégia da marca até 2035. (Foto: Divulgação/Porsche)

A Porsche apresentou nesta quarta-feira (7) sua nova estratégia até 2035, batizada de “Sportwagenschmiede ’35” (algo como “forja de carros esportivos”). O plano foi mostrado a investidores no centro de desenvolvimento da marca em Weissach, na Alemanha, e prevê novos modelos, foco nos segmentos que dão mais lucro e investimentos ao mesmo tempo em motores a combustão, híbridos plug-in e baterias.

O princípio central é “valor acima de volume”: a Porsche quer ganhar mais com cada carro vendido e depender menos da quantidade. A meta é que a empresa dê lucro mesmo vendendo menos de 200 mil carros por ano.

“Estamos seguindo um plano claro com a nossa estratégia Sportwagenschmiede ’35. O objetivo final é fortalecer ainda mais a nossa marca única de carros esportivos”, afirmou Michael Leiters, presidente da Porsche.

Os novos modelos

  • 718 Boxster e Cayman elétricos: devem ajudar as vendas a partir de 2028, primeiro ano completo de produção.
  • Novo SUV do segmento B: será apresentado em 2028 e vendido ao lado do atual Macan elétrico, mas com versões a combustão e híbrida plug-in. A produção começa em 2028, e o modelo deve pesar nas vendas a partir de 2029.
  • SUV acima do Cayenne: a Porsche estuda um SUV maior, no segmento D.
  • Superesportivo de motor central: a marca mostrou a ideia de uma plataforma para um futuro superesportivo, que ficaria acima do 911.
  • Mais versões do 911: a linha do esportivo será reforçada com novas variações.

Porsche 718 Cayman visto de lado Os novos 718 Boxster e Cayman elétricos devem começar a ajudar nas vendas a partir de 2028 (Imagem: Divulgação/Porsche)

A Porsche também quer aumentar em cerca de 45% a participação de modelos dos segmentos mais caros (D e E) na sua linha.

Menos versões, mais personalização

A marca quer cortar cerca de 20% das versões e vender, em média, 30% mais unidades de cada uma. Ao mesmo tempo, vai ampliar a personalização: o programa Sonderwunsch, de carros feitos sob encomenda, deve vender seis vezes mais no médio prazo, e o preço médio dos modelos topo de linha deve subir cerca de 20%.

A Porsche também vai aumentar para 67% sua participação na Manthey Racing, preparadora parceira da marca no circuito de Nürburgring, para oferecer kits de desempenho, experiências em pista e carros de série muito limitada.

Porsche 911 visto de lado A Porsche quer reforçar o “DNA do 911” em todas as linhas e lançar novas versões do esportivo (Imagem: Divulgação/Porsche)

Combustão, híbridos e elétricos

A marca vai seguir investindo em três frentes: motores a combustão, híbridos plug-in e baterias, e vai aproximar seu desenvolvimento do da Audi, com as plataformas compartilhadas PPE e PPC, para gastar menos sem perder a identidade de cada marca.

Corte de custos e de vagas

A estratégia inclui uma redução forte de custos:

  • até 20% menos no custo de desenvolvimento de novos modelos;
  • até 30% menos em custos com pessoal na produção e 20% menos em vendas e distribuição;
  • cerca de 10% menos no custo de materiais dos novos projetos;
  • até 45% menos em custos de garantia, com um programa de qualidade.

O acordo com os funcionários prevê o corte de 9 mil vagas, com garantia de emprego para o quadro principal até 2035. A empresa também quer reduzir em 40% os cargos de gestão. As subsidiárias Porsche Engineering e Porsche Digital serão unidas na nova Porsche Technologies.

Parte do plano já saiu do papel: a Porsche vendeu suas participações na Rimac e na Bugatti Rimac, assinou a venda da consultoria MHP e vai encerrar as atividades das empresas de baterias Cellforce, de bicicletas elétricas Porsche eBike Performance e da Cetitec.

Metas financeiras

A Porsche quer faturar entre € 41 bilhões e € 45 bilhões por ano no médio prazo, com margem operacional de 10% a 15%, chegando a 15% no longo prazo.

Para o Brasil, a estratégia global não traz mudanças específicas. A marca atua no país por meio de subsidiária própria desde 2015.

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