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“Turbo-Valentin”: lenda dos motores de corrida da Porsche completa 95 anos

Valentin Schäffer trabalhou em motores de quatro a 12 cilindros, ajudou a criar o 917 e estava em Le Mans na primeira vitória da marca, em 1970

Por Guilherme Pires3 min de leitura
Valentin Schäffer, ex-chefe de desenvolvimento de motores de competição da Porsche, completou 95 anos.
Valentin Schäffer, ex-chefe de desenvolvimento de motores de competição da Porsche, completou 95 anos. (Foto: Divulgação/Porsche)

Valentin Schäffer, um dos nomes mais importantes da história dos motores de corrida da Porsche, completou 95 anos na última quinta-feira (8). Nascido na Hungria em 1931, ele entrou na Porsche em 1955 como mecânico de motores e chegou a chefe do desenvolvimento de motores de competição, trabalhando em projetos de quatro a 12 cilindros.

Por causa do trabalho com motores turbo, ganhou o apelido de "Turbo-Valentin".

"Valentin Schäffer nunca viu os motores de corrida como máquinas, mas como sistemas precisamente ajustados, que precisam funcionar sob condições extremas", disse Thomas Laudenbach, chefe da Porsche Motorsport.

Dois mecânicos da Porsche montando um virabrequim de motor de corrida, em foto antiga Schäffer começou na Porsche em 1955, numa época em que o desenvolvimento de motores era feito à mão, peça por peça (Foto: Divulgação/Porsche)

Do mecânico ao chefe

Em 1961, Schäffer se formou técnico e mestre artesão. Um dos primeiros trabalhos de destaque foi o motor de quatro cilindros Type 547/2, do Porsche 550A RS Spyder. Depois vieram os oito cilindros Type 753 e Type 771, usados na Fórmula 1, no Europeu de Montanha e no Mundial de Carros Esporte.

O Type 771 era o seu favorito. Schäffer contava que passava horas mexendo no escapamento para arrancar alguns cavalos a mais. Segundo a Porsche, o motor chegava a 138 cv por litro, número altíssimo para a época.

Caminhão de transporte da Porsche com um carro de corrida em cima, em foto preto e branco Caminhão da equipe de corrida da Porsche nos anos 1960 (Foto: Divulgação/Porsche)

O homem por trás do 917

Em 1966, ele assumiu o desenvolvimento de motores de competição, trabalhando com Ferdinand Piëch, então chefe de desenvolvimento da Porsche, e com o engenheiro Hans Mezger. Sob seu comando nasceram os seis cilindros dos 906 Carrera 6 e 910, e ele seguiu com o oito cilindros do 908 e os 12 cilindros do 917, o carro que deu à Porsche a sua primeira vitória em Le Mans.

Os motores Type 912, 912/51 e 912/52 foram as etapas de evolução do 917. O desafio era sempre o mesmo: ganhar potência sem perder a resistência necessária para corridas de 24 horas.

Schäffer estava em Le Mans em 14 de junho de 1970, quando o 917 KH de Hans Herrmann e Richard Attwood deu à Porsche sua primeira vitória geral na prova.

Equipe da Porsche reunida no box em Le Mans nos anos 1970 Equipe da Porsche em Le Mans nos anos 1970 (Foto: Divulgação/Porsche)

O recorde de Talladega

Em 1971, Schäffer refez por completo um motor turbo, trabalho que levou ao Type 912/52, o 12 cilindros biturbo do 917/30. Em 9 de agosto de 1975, esse carro, pilotado por Mark Donohue, bateu o recorde mundial de velocidade em circuito fechado no oval de Talladega, nos Estados Unidos: média de 355,78 km/h numa volta de 4,28 km (2,66 milhas).

Entre 1956 e 1982, Schäffer acompanhou a equipe em provas como a Targa Florio, a série Can-Am e as 24 Horas de Le Mans. Para ele, o motor tinha de ser testado na pista, não só no dinamômetro, porque é na corrida que potência, refrigeração e resistência precisam funcionar juntas.

Valentin Schäffer com prancheta e cronômetro nos boxes, em 1978 Schäffer cronometrando nos boxes da prova de 200 milhas de Nuremberg, em 1978 (Foto: Divulgação/Porsche)

Ele se aposentou em 1989, mas continuou colaborando com a Porsche por muitos anos.

Retrato de Valentin Schäffer de camisa polo vermelha Valentin Schäffer, o "Turbo-Valentin" (Foto: Divulgação/Porsche)

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