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Venda de caminhões reage em setembro, mas renovação da frota segue pressionada pelo crédito

Emplacamentos cresceram 2,51% na comparação com agosto, mas acumulado de 2026 ainda registra queda de 3,89%; custo de aquisição, manutenção e veículos parados pesa na decisão dos transportadores

Por Guilherme Pires4 min de leitura
Mercado de caminhões cresceu em setembro, mas o acumulado do ano continua abaixo de 2025 (foto ilustrativa).
Mercado de caminhões cresceu em setembro, mas o acumulado do ano continua abaixo de 2025 (foto ilustrativa). (Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY 2.0))

O mercado brasileiro de caminhões voltou a crescer em setembro, mas a reação ainda não foi suficiente para recuperar as perdas acumuladas em 2026. No mês, foram 9.845 emplacamentos, alta de 2,51% em relação a agosto e de 2,65% na comparação com setembro do ano passado. De janeiro a setembro, porém, o volume chegou a 78.665 unidades, recuo de 3,89% sobre o mesmo período de 2025.

Os números da Fenabrave, federação dos distribuidores de veículos, mostram um mercado com sinais de recuperação mensal, mas que ainda enfrenta dificuldades para sustentar a renovação da frota. A entidade mantém a projeção de fechar 2026 com cerca de 102,2 mil caminhões emplacados.

Entre os fatores que pesam nas decisões de compra estão o custo do financiamento, o investimento necessário para adquirir um veículo novo e as despesas para manter caminhões mais antigos em operação. Para transportadores e caminhoneiros autônomos, a questão vai além de encontrar crédito: é preciso avaliar se a troca cabe no orçamento e se o investimento melhora a produtividade a ponto de compensar as novas parcelas.

Crédito para renovar caminhões tem demanda elevada

A procura por linhas de financiamento para a renovação da frota ganhou força em 2026. Em julho, o BNDES contabilizava R$ 20 bilhões em financiamentos aprovados no programa BNDES Mais Mobilidade, o equivalente a 95% da verba disponível, distribuída em mais de 19 mil operações.

O volume de aprovações indica interesse dos transportadores em acessar recursos para a compra de veículos e mostra a importância das condições de financiamento em um setor no qual o caminhão é uma ferramenta direta de geração de receita.

A aprovação do crédito, entretanto, não significa que o veículo será imediatamente faturado e emplacado. Como essas etapas ocorrem em momentos diferentes, parte das operações pode aparecer nas estatísticas de meses posteriores.

Para Alberto Andrade, superintendente da APVS Truck, a alta de setembro precisa ser analisada com cautela. "A recuperação registrada em setembro é um sinal positivo, mas precisa ser analisada dentro do contexto do ano. Quando observamos que o acumulado ainda apresenta retração, percebemos que a retomada dos investimentos em veículos pesados continua enfrentando desafios", afirma.

Caminhão novo ou usado por mais tempo: o que entra na conta?

Quando o financiamento é um compromisso difícil de absorver, prolongar a vida útil do caminhão pode parecer a saída mais prudente. A estratégia, porém, não é necessariamente a mais econômica.

Um veículo mais antigo pode exigir reparos frequentes, ter maior consumo de combustível e ficar mais tempo parado para manutenção. Esses fatores afetam tanto as despesas quanto a capacidade de fazer viagens e gerar receita.

Fila de caminhões carregados em estrada de terra Consumo, frequência de reparos e tempo parado ajudam a definir o custo de manter um caminhão antigo (Foto: Tiago Firmino Boaventura/Wikimedia Commons, CC BY 3.0)

Do outro lado, a compra de um caminhão novo envolve o valor de aquisição, os juros e as parcelas do financiamento, além dos demais custos de operação. Por isso, comparar apenas a prestação mensal com a despesa imediata de manutenção pode levar a uma avaliação incompleta.

"É importante não olhar apenas para o valor da parcela de um caminhão novo, mas comparar o custo total de cada alternativa e seus impactos sobre a rentabilidade do negócio", diz Andrade.

A análise também deve considerar o tipo de transporte, a quilometragem percorrida, a carga transportada e as exigências da operação.

Manutenção preventiva ganha importância quando a troca é adiada

Para quem decide continuar com o veículo atual, a manutenção preventiva passa a ter papel ainda mais relevante. Inspeções periódicas, acompanhamento do desgaste dos pneus, verificação dos freios e cumprimento das revisões ajudam a identificar falhas antes que provoquem uma parada inesperada.

O impacto financeiro de uma quebra não se limita ao valor das peças e da mão de obra. Dependendo da duração da parada, o transportador pode perder viagens, deixar de faturar e ter dificuldade para cumprir prazos. Sempre que possível, programar os serviços com antecedência ajuda a administrar a disponibilidade do veículo e os compromissos com clientes.

Na gestão de riscos, transportadores também podem avaliar seguros ou programas de proteção veicular. Antes de contratar, é importante verificar as regras, os eventos cobertos, as exclusões e as responsabilidades assumidas.

Recuperação ainda não está consolidada

A alta dos emplacamentos em setembro é um resultado positivo para o setor, mas a retração acumulada no ano mostra que a recuperação ainda não está consolidada. Para o transportador, o momento exige avaliar não apenas quando trocar o caminhão, mas qual alternativa oferece condições mais sustentáveis para manter a operação e preservar a rentabilidade.

Com informações da Fenabrave e do BNDES.

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