Caminhões a gás e biometano ainda representam 0,1% da frota pesada no Brasil
Mais de 2.500 caminhões a gás natural e biometano já circulam no país, enquanto transportadoras buscam alternativas ao diesel e planejam a renovação gradual das frotas

O Brasil já conta com mais de 2.500 caminhões movidos a gás natural e biometano em circulação, segundo dados do GNPW Group. Embora o número represente uma parcela ainda pequena da frota nacional de caminhões pesados, a tecnologia começa a avançar, acompanhando a busca do setor de transporte por alternativas ao diesel e por soluções ligadas à descarbonização.
Considerando a estimativa de 2,24 milhões de caminhões pesados no país, apontada pelo Sindipeças, os veículos a gás natural e biometano correspondem a aproximadamente 0,1% dessa frota.
O crescimento da tecnologia ocorre em paralelo à ampliação da infraestrutura de abastecimento e ao desenvolvimento de corredores logísticos voltados ao transporte pesado. Esses fatores são considerados importantes para viabilizar o uso dos caminhões em operações de maior distância.
Caminhões a gás e biometano começam a ganhar espaço no transporte rodoviário de cargas (Foto: Divulgação/IVECO)
Renovação da frota exige planejamento
Para as transportadoras, a adoção de uma nova tecnologia não depende apenas da disponibilidade dos veículos. A renovação da frota envolve investimentos elevados e precisa considerar a capacidade de geração de receita da operação.
Nesse contexto, o planejamento financeiro pode ser usado para programar a substituição gradual dos caminhões convencionais por modelos movidos a gás natural ou biometano.
Uma das alternativas citadas nesse processo é o consórcio, que permite programar a aquisição do veículo por meio de parcelas mensais. Após a contemplação, realizada por sorteio ou lance, o participante tem acesso ao crédito para adquirir o bem, conforme as condições previstas no contrato.
Diferentemente do financiamento tradicional, o consórcio não cobra juros sobre o crédito contratado, mas tem taxa de administração e demais encargos previstos em contrato.
Painel de abastecimento do caminhão a gás: expansão da rede de postos é um dos fatores para ampliar o uso da tecnologia (Foto: Divulgação/IVECO)
Transição pode ser feita de forma gradual
Para empresas interessadas em incorporar caminhões a gás e biometano, uma estratégia possível é começar a substituição por uma parte da frota e priorizar operações em que as características dos veículos sejam compatíveis com as rotas utilizadas.
A partir dos resultados obtidos, a transportadora pode avaliar a ampliação da participação desses veículos na frota.
A lógica também permite transformar a renovação em uma meta de médio ou longo prazo, em vez de esperar que a necessidade de substituição apareça para só então buscar os recursos necessários.
Mauro Andrade, gerente comercial do Consórcio IVECO (Foto: Divulgação/Consórcio IVECO)
Segundo Mauro Andrade, gerente comercial do Consórcio IVECO, administrado pela Ademicon, o planejamento financeiro pode ajudar transportadoras a transformar a intenção de adotar caminhões a gás e biometano em um projeto de aquisição programada.
“Planejar hoje pode ser o primeiro passo para acelerar a frota do amanhã”, resume o executivo.
A expansão desse tipo de veículo, porém, depende de fatores que vão além da forma de aquisição, como disponibilidade de infraestrutura, características das rotas, autonomia, oferta de veículos e viabilidade econômica de cada operação.
Ficha rápida
| Indicador | Dado informado |
|---|---|
| Caminhões a gás natural e biometano em circulação | Mais de 2.500 |
| Frota nacional de caminhões pesados | 2,24 milhões |
| Participação estimada | Cerca de 0,1% |
| Fontes dos dados | GNPW Group e Sindipeças |
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