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BYD Dolphin SE 2027 agrada pelo conforto e pelo desempenho, mas autonomia limita a proposta

Hatch elétrico de 177 cv tem suspensão bem acertada, bom isolamento acústico, espaço interno e pacote ADAS completo; alcance no teste e preço atual pesam na avaliação

Por Guilherme Pires8 min de leitura
BYD Dolphin SE 2027 combina visual renovado com motor elétrico de 177 cv e proposta voltada principalmente ao uso urbano.
BYD Dolphin SE 2027 combina visual renovado com motor elétrico de 177 cv e proposta voltada principalmente ao uso urbano. (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

O BYD Dolphin SE 2027 representa uma evolução importante na linha de compactos elétricos da marca. A versão Special Edition ganhou visual atualizado, motor de 177 cv, suspensão traseira multilink, bateria Blade de 45,12 kWh e um pacote amplo de assistências à condução. Lançado no Brasil por R$ 159.990, o modelo aparece hoje no site oficial da BYD por R$ 169.990.

Rodamos com o Dolphin SE na cidade e na estrada. Veja o que achamos.

Desempenho: rápido para o que propõe

Ao volante, o Dolphin SE é um carro de condução agradável, especialmente na cidade. O motor elétrico entrega 290 Nm de torque de forma instantânea, e a resposta ao acelerador é rápida. A BYD declara 0 a 100 km/h em 8 segundos; na nossa avaliação, o carro chegou à marca em cerca de 7 segundos, resultado obtido nas condições do teste, que não substitui o número oficial.

A força também ajuda nas retomadas e ultrapassagens. Mesmo sendo um hatch de proposta urbana, há fôlego suficiente para a estrada. Ainda assim, o grande trunfo do Dolphin SE está na combinação de conforto, silêncio e facilidade de condução, e não em uma proposta esportiva.

BYD Dolphin SE 2027 visto de lado Com 2,70 metros de entre-eixos, o Dolphin SE aproveita bem o espaço interno para um hatch (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

Suspensão é um dos destaques

Um dos pontos que mais chamam atenção é o acerto da suspensão. A BYD adotou um sistema multilink na traseira, e o resultado aparece principalmente em pisos irregulares.

Na avaliação, o carro passou por lombadas, valetas, buracos e ondulações com boa desenvoltura, sem batidas de fim de curso nas situações que encontramos. O amortecimento equilibra bem conforto e controle da carroceria, algo essencial para o asfalto brasileiro, cheio de buracos, remendos e ondulações.

Apesar da sensação de ser um carro pesado, o Dolphin SE pesa 1.485 kg em ordem de marcha, segundo a ficha técnica.

Farol de LED do BYD Dolphin SE 2027 Faróis de LED e a faixa iluminada fazem parte da atualização visual (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

Direção muda conforme o modo

A direção elétrica acompanha os modos de condução. No Eco, fica bem leve, ótima para manobras na cidade. No Normal, ganha um pouco de peso, e no Sport fica mais pesada e com resposta mais direta.

Na cidade, o Eco combina com a proposta de conforto. Numa estrada sinuosa, o Sport deixa a condução mais envolvente. Não transforma o Dolphin SE em esportivo, mas muda a percepção ao volante.

Frenagem e regeneração

A regeneração tem dois níveis. No Standard, a desaceleração ao tirar o pé é mais discreta; no High, o sistema recupera mais energia. Isso ajuda a aproveitar melhor a bateria, mas o efeito depende do percurso, do trânsito, do relevo e do jeito de dirigir.

Traseira do BYD Dolphin SE 2027 com as lanternas acesas Lanternas traseiras interligadas e logotipo BYD iluminado (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

Silêncio e conforto

O silêncio a bordo é outro destaque. A ausência do motor a combustão já ajuda, mas o Dolphin SE também tem bom isolamento acústico, o que passa sensação de qualidade.

Os bancos são confortáveis e a posição de dirigir é fácil de encontrar. A cabine ganhou acabamento predominantemente escuro e uma disposição mais convencional dos comandos.

Painel e central multimídia do BYD Dolphin SE 2027 Cabine combina painel digital de 8,8 polegadas e central multimídia de 12,8 polegadas (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

Espaço interno surpreende

O entre-eixos de 2,70 metros garante bom aproveitamento da cabine. Mesmo com o banco do motorista ajustado para uma pessoa de 1,89 m, sobrou espaço para acomodar bem quem vai atrás.

O assoalho plano, sem túnel central, típico de um carro projetado para ser elétrico, ajuda principalmente quando há três pessoas no banco traseiro.

Bancos dianteiros do BYD Dolphin SE 2027 com ajuste elétrico Banco do motorista tem ajustes elétricos; o do passageiro, não (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

Multimídia rápida e bem integrada

A central de 12,8 polegadas responde rápido e com precisão. A integração com o Google Assistant funciona bem, e o navegador é especialmente útil em viagens.

Um recurso importante para quem tem carro elétrico: o sistema mostra pontos de recarga próximos e o tipo de carregador, e considera a autonomia disponível para planejar o trajeto. Isso reduz uma das maiores dificuldades de quem está começando no mundo dos elétricos.

ADAS bem calibrado

O pacote de assistências ADAS 2 é completo e se mostrou muito bem calibrado. Inclui alerta e frenagem automática de emergência, controle de velocidade adaptativo, assistentes de permanência e centralização em faixa, monitor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado. Na prática, os sistemas funcionam de forma integrada, sem atrapalhar a condução.

Porta-malas do BYD Dolphin SE 2027 Porta-malas de 250 litros é limitado para a categoria (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

Autonomia é o principal ponto de atenção

É na autonomia que aparece a principal ressalva. A bateria Blade de 45,12 kWh tem autonomia homologada de 272 km pelo Inmetro (PBEV). A BYD também divulga até 405 km no ciclo chinês NEDC, mas, para o consumidor brasileiro, o número do Inmetro é a referência correta.

No nosso uso, a autonomia ficou em cerca de 300 km: acima do número oficial do Inmetro, mas abaixo do que esperávamos, algo na faixa de 350 a 370 km em boas condições.

Autonomia real não é um número fixo: relevo, velocidade, temperatura, trânsito, ar-condicionado, carga e estilo de condução mudam bastante o resultado. O teste reforça que o Dolphin SE se encaixa melhor numa rotina principalmente urbana. Com muitas subidas e velocidades mais altas, a autonomia cai mais rápido.

Tampa de recarga aberta do BYD Dolphin SE 2027 Dolphin SE aceita recarga rápida de até 80 kW em corrente contínua (Foto: Guilherme Pires/Auto Top Notícias)

Equipamentos: dá para melhorar

Apesar da boa lista, alguns itens fazem falta pelo preço atual: retrovisor interno eletrocrômico, ajuste elétrico do banco do passageiro e abertura elétrica do porta-malas. São itens de conforto do dia a dia que poderiam estar num carro de R$ 169.990.

Por outro lado, há banco do motorista com ajustes elétricos, carregador de celular por indução de 50 W, ar-condicionado automático, painel digital de 8,8" e central de 12,8".

Preço pesa na avaliação

O Dolphin SE chegou a R$ 159.990 e hoje custa R$ 169.990. Nesse patamar, a relação entre equipamentos, autonomia e preço fica mais sensível.

O MG4 Urban, por exemplo, foi lançado a partir de R$ 129.990 (Comfort, bateria de 43 kWh) e chega a R$ 149.990 na versão Luxury de 54 kWh, que tem 358 km de autonomia pelo Inmetro. Isso não apaga as qualidades do Dolphin SE, mas muda o contexto: há concorrentes com outras combinações de preço, bateria e equipamentos na mesma faixa.

Veredicto

O BYD Dolphin SE 2027 amadureceu justamente nos pontos que mais importam para quem usa um elétrico todo dia. A condução é agradável, o motor de 177 cv responde rápido, a direção tem calibrações diferentes e a suspensão é um dos grandes destaques. O silêncio e o espaço interno completam a boa experiência, e a multimídia com mapa de carregadores e o ADAS bem calibrado ajudam muito.

Por outro lado, autonomia e preço são os pontos de atenção. Os cerca de 300 km do nosso teste bastam para a rotina urbana de muita gente, mas deixam pouca folga para viagens longas. E, a R$ 169.990, a lista de equipamentos poderia ser mais completa.

No fim, o Dolphin SE é mais coerente como um hatch elétrico confortável, silencioso e ágil para a cidade, ainda que seja capaz de viajar.

Pontos positivos

  • Suspensão multilink bem acertada para o piso brasileiro
  • Silêncio e conforto a bordo
  • Desempenho: 0 a 100 km/h em cerca de 7 s no nosso teste
  • Espaço interno, com assoalho plano
  • Multimídia rápida, com mapa de carregadores
  • ADAS 2 completo e bem calibrado

Pontos negativos

  • Autonomia de cerca de 300 km no teste (272 km pelo Inmetro)
  • Preço subiu de R$ 159.990 para R$ 169.990
  • Faltam retrovisor eletrocrômico, banco do passageiro elétrico e porta-malas elétrico
  • Porta-malas de apenas 250 litros

Assista também ao nosso primeiro vídeo com o modelo: Dolphin Special Edition 2027 – a melhor opção para a cidade?

Ficha técnica — BYD Dolphin SE 2027

Item BYD Dolphin SE
Motor Elétrico, dianteiro
Potência 177 cv
Torque 290 Nm (29,6 kgfm)
Câmbio Automático, uma marcha
Tração Dianteira
Bateria Blade LFP, 45,12 kWh
Recarga 6,6 kW (AC) / até 80 kW (DC)
0 a 100 km/h 8 s (oficial) / cerca de 7 s (nosso teste)
Velocidade máxima 160 km/h
Autonomia 272 km (Inmetro/PBEV) / cerca de 300 km (nosso teste)
Suspensão McPherson (dianteira) / multilink (traseira)
Rodas e pneus 17", 205/50 R17
Comprimento 4,28 m
Entre-eixos 2,70 m
Porta-malas 250 litros
Peso 1.485 kg
Preço R$ 169.990 (lançado a R$ 159.990)

Autonomia e 0 a 100 km/h "do nosso teste" foram medidos nesta avaliação e não substituem os números homologados.

Assista ao vídeo

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